sexta-feira, novembro 12, 2004

Yasser Arafat

Yasser Arafat
(1929-2004)

Presidente da Autoridade Palestina e líder da Organização para Libertação da Palestina - OLP. Mohammed Abdel Raouf As Qudwa Al-Hussaeini, de codinome Abu Ammar, porém mais conhecido como Yasser Arafat, teve local de nascimento incerto: algumas fontes afirmam que nasceu no Cairo, Egito, em 27 de agosto de 1929, mas outras afirmam ter sido em Jerusalém, e outras ainda dizem que foi em Gaza, na Palestina. Seu pai foi um mercador de tecidos de origem egípcia; sua mãe era de uma família palestina de Jerusalém. Com a morte desta, foi enviado pelo pai para morar com um tio materno em Jerusalém. Após quatro anos voltou ao Cairo para morar com uma tia paterna. Aos dezessete anos, ainda no Cairo, já colaborava na luta contra os sionistas e as forças do Império Britânico, que dominava a Palestina nesta época, trabalhando no envio de armas para esta região. Em 1948, Arafat deixou a Universidade de Faud I (futura Universidade do Cairo) para lutar contra os sionistas. Após a vitória destes diante da reação armada dos árabes contra criação do Estado de Israel, Arafat teria ficado tão abalado que chegara a buscar um visto para estudar no Texas, EUA. Preferiu voltar à Universidade de Faud I, onde tornou-se líder estudantil. Formando-se em engenharia, em 1956, trabalhou no Egito e no Kwait. Em 1958, fundou com um grupo de militantes, a Al Fatah, uma rede secreta que defendia a luta armada contra o estado sionista. A partir de 1964, Arafat passou a dedicar-se exclusivamente à Al Fatah, estabelecendo bases na Palestina e na Jordânia. Neste mesmo ano foi criada a OLP, sob financiamento da Liga Árabe. A Al Fatah tornou-se a principal força de resistência das populações palestinas nativas diante das políticas de genocídio e limpeza étnica implementadas pelos governos sionistas do Estado de Israel, desde a fundação deste em 1948. Com a nova derrota dos países árabes para os sionistas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, os discursos conciliatórios foram derrotados e a Al Fatah cresceu em prestígio e influência na OLP. Yasser Arafat passou, então, a comandar a entidade em 1969. A OLP firmou suas bases na Jordânia, funcionando como um estado dentro do outro. Isso, e o medo de represálias pelo Estado de Israel, levou a atritos com o rei Hussein, da Jordânia, que várias vezes investiu contra a organização. Arafat, então, passou as bases principais da OLP para o Líbano. Neste, porém, foi combatido diretamente pelos israelenses quando invadiram este país. Arafat migrou outra vez com o comando da OLP, agora para Túnis. Com a expulsão do Líbano, as 'intifadas' (sacudidas) passaram a ser um modo de chamar a atenção do mundo para o holocausto palestino promovido pelo sionismo. Em 1974, a OLP foi reconhecida pela ONU e pelos estados árabes como governo legítimo dos palestinos. Inicialmente respondendo com métodos terroristas o sistemático terrorismo de Estado adotado pelos governos sionistas, e também defendendo a destruição completa do Estado de Israel, Arafat passou a mudar de tática no começo da década de 80. Buscou explorar mais as vias diplomáticas, angariando grande apoio da opinião pública internacional para a causa palestina, apesar da poderosa mídia sionista, particularmente influente nos EUA. Com a maior população judaica do mundo, que é alvo preferencial da maciça e eficiente propaganda sionista, os EUA têm fornecido o apoio político, econômico e militar que o Estado de Israel necessita para manter sua dominação sobre as populações palestinas, submetê-las a seu regime de apartheid, e promover o projeto sionista de colocar os países do Oriente Médio e os de maioria islâmica sob governos fantoches. Este apoio estadunidense tem gerado violentas reações, como a ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001. Em 1988, Arafat anunciou em Genebra, na Suíça, num encontro promovido pela ONU, que a OLP renunciava ao terrorismo e reconhecia o direito de todos envolvidos no conflito do Oriente Médio de viverem em paz e segurança, "inclusive o estado da Palestina, Israel e vizinhos". Em 1993, Arafat conseguiu firmar com o governo israelense acordo que deu aos palestinos autonomia limitada em Jericó e na Faixa de Gaza. Em 1996, Arafat foi eleito Presidente da Autoridade Palestina. Neste mesmo ano, porém, os sionistas elegeram Benjamin Netanyahu para primeiro-ministro, um declarado opositor à existência de um estado palestino verdadeiramente soberano. Netanyahu foi sucedido pelo general Barak e depois pelo general Ariel Sharon, do Likud. Este lamentou várias vezes não ter assassinado Arafat quando tivera oportunidade. Após vários anos vivendo restringido em seu quartel general (o governo do estado judeu ameaçava não permitir seu retorno caso viajasse para fora do país), Yasser Arafat faleceu em Paris, França, em 11 de novembro de 2004, após passar vários dias em coma sofrendo de uma moléstia não elucidada. O governo do Estado de Israel foi acusado por várias lideranças árabes de havê-lo envenenado. Arafat, que era muçulmano, era casado com Suha Tawil, que se converteu do Cristianismo ao Islã algum tempo depois do casamento.